Eu, filósofo
Por André Vinco
"Todo homem é filósofo", afirma Antonio Gramsci, pensador italiano, em um de seus ensaios.
Mas como? Perguntaram muitos, já com a resposta na ponta da língua: "filosofia é coisa de quem não tem nada de mais importante a fazer; filosofia é divagação, é pura inutilidade".
Poderia eu, entendendo ser puro besteirol, simplesmente olvidar tais argumentos, mas, filosofando chego ao entendimento que essa forma de ver a filosofia vem de uma cultura em que as coisas só são válidas se para elas for apresentada uma utilidade imediata; uma cultura que nos faz aceitar tudo como pronto e acabado, bom ou ruim, verdadeiro ou falso, real ou virtual. Uma cultura de domesticação que vem nos preparando desde pequenos para que nos tornemos exímios consumidores; para que consumamos muito além das nossas necessidades.
Mas para isso é necessário que não pensemos, que não levantemos qualquer questionamento, que não desenvolvamos o pensamento crítico. Se refletíssemos um pouco, poderíamos, perigosamente para o sistema, nos rogar o direito de decidirmos nossa vida por nós mesmos.
E assim sem analisar criticamente a realidade vamos elegendo políticos corruptos, fazendo vista grossa à miséria que assola muitas regiões do país, fazendo vista grossa à violência e agindo de forma individualista buscando saídas sempre individuais.
"Filosofia, para que? Entender o mundo, para que? Bobagem! Quando nasci, o mundo já era assim e não sou eu que vai muda-lo..." Essa é exatamente a mentalidade que aqueles que, filosofando para poder dominar, desejam que seja disseminada entre as pessoas.




